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O acidente vascular cerebral (AVC) e o Brasil Imprimir E-mail
Sex, 05 de Novembro de 2010 10:11
Escrito por Daniel Chutorianscy, médico que sofreu AVC, voltou a trabalhar com algumas sequelas e fundou o Grupo AVC-PULANDO A CERCA.

 

O Acidente Vascular Cerebral no Brasil não é causa grave para Saúde Publica , e sim Segurança Nacional.

No Brasil, morrem por ano 250.000 pessoas de Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou “derrame”.Quem sabia isso? E ainda mais, milhões de brasileiros ficam sequelados tornando-se “invisíveis” para a sociedade. Ninguém sabe, ninguém viu.... É a maior causa de mortes no país, superando infartos, câncer, acidentes de trânsito. Esses dados são fornecidos pelo canal oficial de informações do governo- a TV Globo (novembro 2009- “Bom Dia Brasil), talvez seja muito mais. Quem sabe?

250.000 é um número assustador, corresponde ao tamanho das guerras e tragédias como furações ou “tsunamis”. E ninguém sabe nada disso....Perguntamos: como é que pode? Nenhuma informação ou prevenção...

Para os governos atuais ou do passado, trata-se do fenômeno da “invisibilidade”- “não vê, não existe, não toma nenhuma medida, e deixa rolar....”

Certamente existe uma vinculação imediata do AVC com as indústrias de fumo, álcool, drogas (lícitas ou ilícitas), alimentação (o Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos, o transgênico tomou conta do mercado do consumidor brasileiro), baixíssimos salários, hipertensão, diabetes, e o “tigre nosso de cada dia” que é o estresse de enfrentar essa realidade alienadamente, uma espécie de “avecerização” social. Um sistema de Saúde (saúde?) moribundo, com a mídia propagando aos quatro ventos o consumo de bens pouco duráveis, repetindo a “invisibilidade” com o mesmo bordão: “não vê, não existe...e deixa rolar”.A doença não traz lucros institucionais.

O acidente vascular cerebral é uma interrupção do circuito cerebral. Pode ser de dois tipos: isquêmico (85% dos casos) e hemorrágico (15% dos casos). Saiba você que até quatro horas após um incidente de AVC isquêmico, pode-se usar medicamento especifico (o trombolítico alteplase) cuja perfomance é de 50% de melhoras, não deixando sequelas. Tal medicamento existe no Brasil, aprovado seu uso em protocolos do Ministério da Saúde...

Você sabia? Não... É somente usado em alguns poucos hospitais particulares, a preço muito alto.

Milhares de vidas podem ser salvas, milhares de pessoas podem dispensar a “invisibilidade ou avecerização social”, mas a que preço? Investir na Doença ou na Saúde? A opção pela Saúde implica em remover a “avecerização social” e começar a nos mexer. “Ninguém quer adoecer ou morrer”, “ter saúde é o principal”. Forcemos, já que é nosso direito, as campanhas nacionais de informação e prevenção, inclusive o diagnóstico rápido, os hospitais do SUS e conveniados, bem como os particulares a ter o medicamento adequado, organizar grupos, nas unidades de saúde, de pacientes avecerizados e seus familiares, repetindo o modelo dos grupos de hipertensos, diabéticos etc, revisão dos critérios de aposentadoria para pacientes com AVC. Forcemos o Governo e o Ministério da Saúde a “verem” o que não querem “ver”. Temos certeza absoluta de que, quando conseguirmos detonar essa campanha, o país inteiro cobrará as medidas, em vez do “avecê social”, teremos um verdadeiro “pulando a cerca” de saúde, cidadania, solidariedade e justiça . “Pular a Cerca” é dar visibilidade , não é a omissão habitual, aquela do fenômeno da invisibilidade “não vê, não existe....”.

Daniel Chutorianscy é médico, teve um AVC há cerca de um ano, não se manteve “invisível”, voltou a trabalhar com algumas seqüelas, não fez uso lamentavelmente do alteplase, fundou o Grupo AVC-PULANDO A CERCA em agosto de 2009, que, neste pequeno período de tempo, continuou brigando pela Saúde, e “pulando a cerca” pela visibilidade, pela justiça e contra a “avecerização” social. Que o AVC ou derrame não mais seja um “derrame” de alienações e engodos. Exigimos Saúde, Educação, Justiça como instâncias primeiras.

 

Daniel Chutorianscy - CRM 52-27646-7   e-mail:  Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

 


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